FEVEREIRO

Calor, chuvas e luz são os ingredientes primários abundantes neste mês, prenúncio de crescimento dos frutos e de boas colheitas que se iniciam nas fazendas brasileiras.
 
 PLANTIO DIRETO
 Busca
 
Voltar VoltarImprimirEnviar para um amigo
(mla)
:: DIA MUNDIAL DO SOLO
Dia Mundial do Solo

Hoje, 05/12, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) realiza uma sessão especial em sua sede em Roma com o slogan ''Securing healthy soils for a food secure world'' (''Garantindo solos saudáveis para um mundo seguro em alimentos''). Este evento acontece pela passagem do Dia Mundial do Solo, o qual foi proposto pela União Internacional de Ciência do Solo e endossado pela própria FAO para ser referência na agenda ambiental dos povos.

As discussões sobre as relações homem-natureza ainda estão muito focadas em clima e água, mas pouco se fala sobre o solo como meio capaz de sustentar a vida no planeta e que encontra-se ameaçado também por ações do homem em práticas predatórias nos usos urbano e rural. O solo fundamenta a vida no planeta pelas funções que lhe são inerentes. É base para produção de alimentos, fibras e energia; sustentáculo de cidades e infraestrutura de transportes; fonte de matérias-primas e biodiversidade; suporte dos grandes ciclos biogeoquímicos; filtra e transforma resíduos; atua como reservatório de água e ainda mantém o registro histórico da evolução animal, vegetal e humana nos fósseis que abriga e nas ruínas de cidades, templos e caminhos estabelecidos ao longo dos séculos. Mas não tem sido bem cuidado. O Brasil, por exemplo, ainda perde milhões de toneladas de solo anualmente nos diversos sistemas de uso desse recurso natural e cuja imagem mais recorrente é a de rios impregnados de sedimentos.

Num planeta que abriga 7 bilhões de habitantes, essa camada que recobre o globo é um sistema complexo que sustenta a vida humana, mas é suscetível à degradação e pode ser considerado um recurso natural não renovável quando medido na escala antropológica do tempo. Nosso país, em seus 851 milhões de hectares de área territorial, possui centenas de tipos de solos, classificados tecnicamente e agrupados em 13 ordens, das quais a mais representativa é a Ordem dos Latossolos, que são aqueles solos mais profundos em paisagens de relevo suave-ondulado e estão presentes em todos os biomas.

Descontando-se a área coberta por água, os solos brasileiros se estendem por 835 milhões de hectares, onde as lavouras e pastagens ocupam cerca de 40%, as florestas e áreas protegidas cerca 50% e os 10% restantes se referem a cidades, estradas, etc. Do ponto de vista quantitativo são números que impressionam.

Se as constatações mostradas acima com foco no Brasil fazem sentido para justificar a existência de um dia especialmente dedicado ao solo, muito mais o fazem quando transpostas para a escala mundial, pois os problemas se agravam em muitos países asiáticos e africanos, principalmente. Não está na hora de restituir-lhe seu papel fundamental no campo das preocupações ambientais e do desenvolvimento sustentável? Imprensa, governos, gestores ambientais e até professores de escolas básicas precisam colocar o solo na pauta de suas percepções, ações e compromissos.

No Brasil, uma das mais tradicionais sociedades científicas é a Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (Sbcs), fundada em 1947 e atualmente sediada no Departamento de Solos da Universidade Federal de Viçosa (MG), a qual possui cerca de mil sócios em todo o país. Ela congrega os cientistas do solo e profissionais de extensão rural e assistência técnica, organiza eventos, produz artigos e os faz circular em revistas especializadas, mostrando que a ciência, a tecnologia e a inovação estão disponíveis, principalmente, para a prática de uma agropecuária comprometida com a conservação do solo e a sustentabilidade ambiental.

Conhecimento especializado não falta ao Brasil. Da mesma foram, tem-se buscado ações políticas para que a sociedade e suas governanças coloquem o solo no foco das questões ambientais. Mas é preciso que haja mais comprometimento dos agentes que traçam os rumos das tais políticas. A ação da FAO demonstra uma preocupação internacional. Falta agora trazê-la para o Brasil, se quisermos mesmo continuar sendo a promessa de abastecimento agrícola para o mundo. Os dados científicos de degradação do solo por erosão e práticas inadequadas de uso e manejo demonstram que este não é mais um problema que demanda soluções no futuro breve mas sim no presente.

GONÇALO SIGNORELLI DE FARIAS é pesquisador do Iapar em Curitiba e Presidente da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo.

Fonte: Folha de Londrina – Opinião – 05.dezembro.2012

Fonte: Folha de Londrina
Voltar VoltarImprimirEnviar para um amigo

Conveniada: Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz - FEALQ 
Contato: agrisus@agrisus.org.br e agrisus@fealq.org.br